Palavras que inspiram gerações: Didymea Lazzaris de Oliveira fala sobre o livro “Mulher por Excelência”
- 10 de jul.
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Em entrevista exclusiva ao Museu de Navegantes, a escritora Didymea Lazzaris de Oliveira compartilha a trajetória que inspirou a obra “Mulher por Excelência”, revelando as motivações que deram origem ao livro, o processo de escrita e as reflexões presentes em suas páginas. Ao longo da conversa, a autora também recorda momentos marcantes de sua vida, fala sobre a importância da literatura como instrumento de transformação e destaca o papel da mulher na construção da sociedade, deixando um valioso registro para a memória cultural de Navegantes.
A arquiteta Methissa Marquetti Lazzaris de Oliveira, neta da escritora Profa. Didymea Lazzaris de Oliveira, conversando com a avozinha, que aos 94 anos ainda edita livros, curiosa quis sabe onde ela ia buscar tanta inspiração para os seus escritos. Então perguntou-lhe:
Vovó, o que levou a senhora a escrever o livro “Mulher por Excelência”, que acabou de lançar?
Minha neta, se fizermos uma leitura nos livros históricos, observaremos que os escritores, em seus relatos, geralmente falam nos homens que fizeram uma história.
As mulheres, que estiveram ao seu lado, dando-lhes apoio e sugestões, aparecem esporadicamente. Então eu, como escritora, pensei de fazer justiça às mulheres e escolhi as navegantinas como a musa inspiradora para o livro “Mulher por Excelência”. Falo nelas porque fizeram parte do meu dia-a-dia desde 1950. Foi uma amizade tão firme que o correr dos anos não apagou.
Por que essa amizade com as mulheres de Navegantes, se a senhora morava em Itajaí? O que aconteceu de tão importante em 1950?
Na minha vida, querida neta, tudo tem uma história. E pela minha avançada idade, muito tenho o que contar! Em 1950, aos 18 anos de idade, ingressei no magistério e comecei no Grupo Escolar “Profa. Júlia Miranda de Souza”, de Navegantes, que funcionava na Colônia de Pescadores, onde as salas de aula eram separadas com paredes de madeira. Os alunos assentavam-se em bancos escolares para cinco crianças, que colocados num espaço reduzido quase batiam no quadro de giz, o quadro negro. Foi em Navegantes e com os alunos de 1950 que aprendi a ser professora. Lecionava pela manhã, e à tarde frequentava a Escola Normal “São José”, em Itajaí. Guardo com muito carinho uma fotografia que registra a formatura deles em dezembro de 1950, a primeira turma do educandário a receber o certificado do 4º ano, que naquela época era o nível mais alto de escolaridade. Como professora, estava sempre em contato com suas mães, que me acolheram com mito carinho. Também, casei com um marítimo navegantino, o teu avô, e fui morar em Navegantes, onde permaneci quatro anos.
Vó, a senhora pode mostrar a fotografia desses seus alunos de 1950?
Sim, querida! Aqui está:

Depois do livro “Mulher por Excelência”, quais são os seus próximos planos como autora? Pretende continua escrevendo sobre Navegantes?
Penso que já falei de muitos eventos ocorridos em Navegantes, e suas memórias, mas, essa Cidade não para de crescer. Sempre tem uma novidade para o escritor montar um livro. Talvez, um dia, a musa inspiradora me venha com novas ideias, e lá estou eu escrevendo outro livro. Vamos aguardar!

Ainda não falamos no Museu de Navegantes. O que a senhora pode me dizer sobre ele?
O Museu de Navegantes é uma iniciativa dedicada à preservação e valorização da memória da história e do patrimônio cultural do município. Com formato de atuação virtual e ações presenciais, ele reúne fotografias, documentos, relatos e pesquisas que aproximam a comunidade de sua própria história, promovendo o acesso à cultura, à educação patrimonial e ao reconhecimento das identidades locais. Veja, minha netinha, a vovó aos 94 anos ainda está contribuindo ativamente interessada na cultura de Navegantes.
Por que, vovó?
Porque sou uma “navegantina de coração”!
A equipe do Museu de Navegantes agradece, de forma especial, à escritora Didymea Lazzaris de Oliveira pela generosidade em compartilhar sua trajetória, suas memórias e suas reflexões nesta entrevista. Estendemos também nosso sincero agradecimento à sua neta, Methissa Marquetti Lazzaris de Oliveira, e ao seu filho, Rogério. A colaboração de todos foi fundamental para a realização deste importante registro, que passa a integrar o acervo de memórias preservado pelo Museu de Navegantes para as presentes e futuras gerações.
Entrevista: Methissa Marquetti Lazzaris de Oliveira Texto: Museu de Navegantes e Methissa Marquetti Lazzaris de Oliveira Imagens: Acervo Didymea Lazzaris de Oliveira



